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Gastos de estrangeiros caem ao pior patamar em 17 anos e setor de turismo teme isolamento do Brasil

09/04/2021

Empresas que atuam com turismo no Brasil já contabilizam perdas pesadas com a pandemia e, agora, temem pelo futuro. A percepção é que o aumento de contágios e mortes associado à demora na vacinação tende a deixar o país fora dos roteiros internacionais por um período mais prolongado que o previsto inicialmente.

Segundo levantamento da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), conseguido em primeira mão pela Folha, a pandemia do novo coronavírus levou ao encerramento de 35,5 mil estabelecimentos no setor de turismo em 2020. Trata-se da maior perda anual desde a crise de 2016, quando 44,9 mil estabelecimentos fecharam as portas.

O número de vagas perdidas foi ainda maior.

De acordo com o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), que contabiliza empregos formais, somente no ano passado, o setor encerrou 397 mil vagas com carteira assinada. O número equivale a um encolhimento de 12,8% da força de trabalho no turismo.

O levantamento aponta que estabelecimentos estão sendo fechados de forma generalizada em todo o país, mas as maiores baixas se concentraram em São Paulo (10,9 mil), Minas Gerais (4,1), Rio de Janeiro (3,7 mil) e Paraná (2,6 mil).

Bares, restaurantes e similares foram os que tiveram as maiores perdas —retração 28,61 mil no ano—, seguidos por hotéis, pousadas e similares, que registrou o encerramento de 3,04 mil pontos.

Toda a cadeia do setor foi afetada. Há registro de encerramento de negócios nos segmentos de agências de viagens, transportes rodoviários (-1,39 mil), serviços culturais e de lazer (-1,02 mil) e locadoras de veículos (-0,2 mil).

O recrudescimento da pandemia neste ano, com recordes de casos e colapso na saúde, somado à dificuldade do governo em implantar um programa de vacinação em larga escala, acrescentou um problema adicional —o afastamento de turistas estrangeiros. A perpectiva é que o Brasil vai levar mais tempo do que outros países para voltar ao roteiro turístico global.

Fabio Bentes, economista da CNC e responsável pela pesquisa, avalia que, em relação à geração de receitas, 2021 já é mais um ano perdido para o turismo brasileiro. Segundo ele, é inviável que o setor consiga esboçar uma retomada consistente neste ano.

“A situação do turismo é de penúria. Todos os indicadores conjunturais de venda, emprego, mostram que o setor de turismo é o mais afetado na pandemia. Se o comércio tem restrições, imagine o turismo”, afirma.

“Neste ano, por exemplo, não há como pensar em turismo internacional. Só há turismo nacional e, mesmo assim, muito limitado por causa das restrições e bloqueios nas cidades. Não adianta fazer marketing. O setor não vai conseguir deslanchar no curto prazo”, diz Bentes.

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